Efeito Urano
“Cristiana, então, deixou-se seduzir por sua própria sedução, então refletida em Helena. Que tem uma voz dentro da cabeça que fica dizendo: eu preciso ser tudo para ter tudo. E deu á Cristiana um pouco do que ela de fato queria: doses de ousadia, pecado e culpa. Quase um jogo, uma brincadeira de pátio. Quase.”Cabe não cabe? Sim, e perfeitamente. E eu não tenho vergonha de dizer isso. Nem vergonha nem medo. O único medo que eu tinha era o de te perder, mas já notou como isso se aplica á gente? Uma coisa muito absurda para não dizer quase obscena. E sabe porque nós duas continuamos com isso? Porque ambas gostamos de nos mutilar. Talvez você inconscientemente, mas eu não. Eu só não carrego um canivete comigo e dou meus cortes porque eu não gosto de sangue e nem de cicatrizes. Pelos menos não dessas que ficam expostas na pele, dessas que qualquer um pode ver. Eu gosto mesmo é de provocar cortes internos. E de vez quando cutucar velhas feridas. E eu chego ao ápice do ridículo para me satisfazer, desviar, chame como quiser. È essa coisa minha meio sado-maso, essa dor emocional que eu aprecio. E deve ser por isso que meus amores, aqueles mais fodidos sempre foram os mais cruéis. E foi por isso que eu lhe disse que, se ainda não quase já a amava. Vê que ridícula? Não. Não porque eu lhe disse isso. Eu te amava mesmo naquele dia e estava desesperada pra te mostrar isso. A coisa patética da qual me refiro foi que eu lhe disse isso também por outro motivo. Não, não foi para receber um “Cara, eu também te amo”. Não. Eu disse por que tinha certeza de que você não retribuiria. Porque você não é louca de pedra como eu. E denote o “louca de pedra” como uma escrota drogada e suicida. Porque você é como você mesma disse, certinha. Não. Não limitada. Apenas correta, honesta consigo mesma e não uma junkie emocional, uma freak viciada em desprezo como eu. E eu tinha certeza que isso ia te assustar, que ia te afastar, que isso te levaria a pensar antes de falar. Vê como eu sou podre? Depois eu joguei aquela avalanche de sentimentos em você, não que eu não estivesse realmente sentindo tudo aquilo. È só que eu sou uma exagerada eu gosto de aumentar as coisas. E acredito mesmo que esteja crescendo só que depois não saberei mais o que fazer com tanto. Então fico perdida e como filha da puta covarde que sou eu fujo. E agora está tudo meio fodido pro meu lado. Porque pela primeira vez eu fui sendo o que sou até agora. E você sabe que “é difícil ser uma coisa que se esconde o tempo inteiro” e eu não fui. Mas eu sou uma lunática. Eu te liguei e como você não retornou logo pensei que “ela” enfim havia chegado. Consegui até ver você apagando o meu numero das chamadas recebidas e dizendo pra ela que fora engano. Você não sabe o quanto é horrível eu admitir isso aqui pra você. Oras, essas são minhas fraquezas e você não deveria saber delas. Você só devia saber sobre o que há de mais belo e emocionante em mim. Você não tem idéia o quanto é assustador saber que a qualquer momento eu vou receber uma mensagem tua me dizendo que ela chegou e que você já tem uma resposta, ou pior que ainda não sabe. E isso não tem nada a ver com a minha adrenalina em ser rejeitada. Isso não é vicio. Você não é meu vicio em tortura emocional. E por isso mesmo me assusta. Isso eu não sei definir, isso não se resolve com analise nem psicólogo. È mais ou menos como entrar no mar e ficar com medo de pisar no fundo dele saca?
E bem no meio dessa minha-maneira-estranha-de-tentar-não-pensar-mais-em-você, ás 23:30 horas (já no horário velho) você me liga com seis centavos de crédito, “mas tudo bem porque quando muda o horário as operadoras ficam loucas” e a gente tem tempo suficiente pra conversar. Suficiente pra eu ficar ouvindo esse seu sotaque do caralho (do caralho porque nem se eu quisesse eu não conseguiria mais te tirar de mim). Não depois do “Porque tipo assim” numa coisa meio gaúcha, meio paulista, nessa sua voz que é meio sono, meio deboche e que me encharca. Então nesse meio tempo, entre ouvir tua voz me dizendo que está com dor de garganta porque dormiu com a janela aberta, entre minha calcinha ficar molhada e eu pela primeira vez gostar da mudança e de todo trabalho que dá essa porra de mudança de horário. Nesse meio tempo cai a ligação e eu fico puta. Eu volto a estaca zero repetindo “liga merda, me liga”.
Fernanda Young
quarta-feira, 15 de julho de 2009
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Esse livro é meu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluir"Junkie emocional...
Suficiente pra eu ficar ouvindo esse seu sotaque do caralho (do caralho porque nem se eu quisesse eu não conseguiria mais te tirar de mim). Não depois do “Porque tipo assim” numa coisa meio gaúcha, meio paulista, nessa sua voz que é meio sono, meio deboche e que me encharca."
Fantástico !!!
é um link ou vc copiou e colou?
acho q copiou e colou...rs...s é q vc m entende.
rs.
P.S: Devolve meu livro!