Mãos atadas e olhos cegos
Não nego – ardo só de pensar.
As unhas que arranham a pele
A mordida que marca a carne
Que essa dor nunca me falte
E que o beijo sele mas nunca cale.
Impropérios, indecência
Mistério, imprudência
O carrasco do desejo
Nunca pede licença
Pra me executar.
Feliz condenada
Nem sempre comportada
Quando bem acompanhada.
Intensa devassidão
Ilimitada vastidão
Dor e luxúria
Variedade e fartura
Não peço a boca
Não meço a força
Onde a razão não tem espaço
E esse texto, um ínfimo pedaço
Da minha loucura.
>> Raquel Medeiros
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Um pouquinho de Shakespeare...
"Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto."
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto."
Saudade...
Ainda sinto seu cheiro, seu andar, seu riso pouco e ousado,
sua mão, seu ar que me sufoca,
sua gargalhada que me devora, seu beijo doce.
Esse murmurar que me arrepia, braços, pernas, que me contagiam.
Preciso de um antídoto. Preciso de você.
****
Acho que nada poderia ter sido diferente. Tinha que ser daquele jeito, exatamente como passou. Exitações, bilhetes, todos com duvidas mais ninguém ousava perguntar, era mais que nítido e ainda tentávamos disfarçar.
Acordava com uma impressão deliciosa de que iria ver o mar.
****
sua mão, seu ar que me sufoca,
sua gargalhada que me devora, seu beijo doce.
Esse murmurar que me arrepia, braços, pernas, que me contagiam.
Preciso de um antídoto. Preciso de você.
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Acho que nada poderia ter sido diferente. Tinha que ser daquele jeito, exatamente como passou. Exitações, bilhetes, todos com duvidas mais ninguém ousava perguntar, era mais que nítido e ainda tentávamos disfarçar.
Acordava com uma impressão deliciosa de que iria ver o mar.
****
domingo, 1 de novembro de 2009
Teu até a morte!
"Soberana e alta Senhora!
O ferido do gume da ausência, e chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia de Toboso, te envia saudar, que a ele lhe falta.
Se a tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, alem de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, do modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e senão faz o que mais te aprouver, pois em acabar a minha vida terei satisfeito á tua crueldade e o meu desejo.
>> O cavaleiro da triste figura <<
O ferido do gume da ausência, e chagado nas teias do coração, dulcíssima Dulcineia de Toboso, te envia saudar, que a ele lhe falta.
Se a tua formosura me despreza, se o teu valor me não vale, se os teus desdéns se apuram com a minha firmeza, não obstante ser eu muito sofrido, mal poderei com estes pesares, que, alem de muito graves, já vão durando em demasia.
O meu bom escudeiro Sancho te dará inteira relação, ó minha bela ingrata, amada inimiga minha, do modo como eu fico por teu respeito. Se te parecer acudir-me, teu sou; e senão faz o que mais te aprouver, pois em acabar a minha vida terei satisfeito á tua crueldade e o meu desejo.
>> O cavaleiro da triste figura <<
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